Cadela adotada traz ideia de negócio para empreendedoras do mercado pet

Por Filipe Oliveira
Vanesssa Louzada e Thais Amorin, da Holipet, com a cadela Augusta
Vanessa Louzada e Thais Amorim, da Holipet, com a cadela Augusta

 

A chegada da Augusta, uma cadela vira lata escolhida há um ano e meio em feira de adoção em São Paulo, à casa dividida pelas empreendedoras Vanessa Louzada, 36, e Thais Amorim, 33, trouxe alegria, bagunça e uma ideia de negócio para elas.

“Como A Augusta era adotada, tinha muito probleminha. Tínhamos de levar ela sempre ao veterinário para cuidar do ouvido, do pelo. Saíamos de casa e ela comia tudo, íamos viajar e não tínhamos com quem deixá-la”, conta Louzada.

O maior problema, segundo ela, era escolher profissionais para o que a Augusta precisava. Dava trabalho ligar para vários prestadores para saber qual preço cobravam, se tinham horário disponível e não havia referências para saber quem era bom, diz Amorim.

Conversando com mais donos de animais, chegaram à conclusão de que o problema era comum a muitos e resolvê-lo poderia ser uma oportunidade.

Elas lançaram a plataforma Holipet em maio. O site, lançado em maio, funciona como um catálogo virtual para encontrar prestadores de serviços para animais de estimação e agendar serviços pela rede.

Informando seu endereço, o usuário do site consegue buscar em sua região serviços como veterinário, banho e tosa, adestrador, passeador, plano de saúde e crematório, por exemplo.

Também é possível pagar atendimentos a partir da internet, via cartão de crédito.

MODELO DE NEGÓCIOS

A  Holipet possui 58 prestadores de serviços cadastrados em seu site, todos na cidade de São Paulo.

A empresa tem duas formas de ganhar dinheiro. Para os profissionais que usam seu site para atrair clientes sem assinar um plano de serviços, ela fica com 25% do valor das transações fechadas on-line.

As assinaturas de serviços saem por a partir de R$ 85 ao mês (a planos mais baratos para períodos maiores). Os assinantes são isentos da cobrança de taxa e têm ferramentas de divulgação, como envio de marketing em SMS ou e-mail.

Até agora, a empresa fez cerca de 10 transações. Enquanto o negócio toma corpo, Louzada, que é advogada, segue atuando em sua área de formação e Amorim, profissional de marketing, se dedica em tempo integral à empresa.

Além das sócias, a companhia conta com mais uma funcionária e tem duas vagas em aberto.

PREPARAÇÃO

Uma curiosidade na história da Holipet tem a ver com seu lançamento. A companhia seguiu caminho diferente do sugerido pela maior parte das cartilhas para lançamento de negócios na internet.

Enquanto metodologias consagradas, como o Lean startup, sugerem que se coloque produtos no ar o mais rapidamente possível para descobrir logo se ele tem potencial (e se possa fazer mudanças antes de se perder muito tempo e dinheiro), o lançamento da plataforma da Holipet foi um projeto de um ano.

Primeiro as sócias criaram um blog e páginas em redes sociais para divulgar conteúdo sobre animais de estimação.

A intenção era conquistar uma boa audiência e reconhecimento da marca da empresa antes de iniciar o produto principal, o site para busca de profissionais, conta Louzada.

“Não queria lançar só mais uma start-up e, depois, ficar correndo atrás do que fazer, gastar muito dinheiro com marketing para ela ter clientes. Queríamos lançar algo quando já estivéssemos conhecidas no mercado.”

O perfil da empresa no Instagramtem cerca de 22 mil seguidores.

Os preparativos não pararam no mundo virtual. A Holipet também organizou um evento para o segmento pet em parque de São Paulo dedicado aos food trucks em abril deste ano.

Para o dia, foram fechadas 28 parcerias, havia DJ, artistas que desenhavam animais ao vivo, gastronomia pet e moda para animais. Segundo as sócias, foram recebidas 2.000 pessoas no dia.

Com isso, ficou mais fácil conseguir atrair prestadores de serviço para o site: “Não entramos no mercado sem sermos ninguém”, diz Louzada.

Hoje a empresa busca parcerias com instituições que formam profissionais do mercado pet para aumentar a quantidade de serviços cadastrados em seu site.

GATA

A ideia de facilitar a escolha dos profissionais usada pela Holipet é semelhante a que André Fossa, 37, começou a explorar em dezembro de 2012, quando lançou o site AgendaPet.

No caso dele, em vez de cachorro, a empresa foi inspirada por uma gata, a Mia.

André Fossa, fundador da AgendaPet
André Fossa, fundador da AgendaPet

Fossa tinha uma carreira executiva (foi presidente da consultoria indiana TCS no Brasil) que o fazia viajar frequentemente com a família. Como a gata tinha um problema urinário, era comum que precisasse de veterinários quando estavam longe de casa.

O fato que deu o empurrão final para que ele levasse a ideia de empreender no mercado pet a sério aconteceu nos Estados Unidos em 2010.

“Um veterinário avaliou a Mia e disse que ela só tinha 4 meses de vida. Estava tendo muitas infecções por causa dos problemas que tinha. Por precaução, decidimos levar ela para outro profissional avaliar. E demos sorte de cair com uma especialista em sistema renal felino. Ela falou que não era grave, a Mia só tinha de fazer a cirurgia e iria ficar bem.”

Fossa conta que a experiência o fez pensar que o encontro de um bom profissional para cuidar de um animal não deveria ser obra do acaso. Era preciso que houvesse uma plataforma que mostrasse quem são os profissionais do segmento pet e mostrasse avaliações deles feitas por clientes, diz.

REPAGINAÇÃO

Enquanto a Holipet inicia suas atividades, a AgendaPet está reformulando seu modelo de negócios desde o final do ano passado.

Fossa conta que a empresa vem deixando o modelo de classificados de serviços para trás e está se tornando um portal para chamar profissionais para atendimento a domicílio, funcionando como uma espécie de Uber para o segmento pet.

No novo modelo, o cliente busca profissionais no site da empresa e indica região, animal que possui e horário que precisa do serviço. Depois, seleciona quais prestadores acha interessante entre os cadastrados.

A partir daí, o sistema da AgendaPet envia a solicitação para os profissionais escolhidos. Após alguns minutos, um entre os que aceitaram o serviço é escolhido automaticamente pela plataforma da empresa. Para definir quem fará o atendimento, a empresa leva em conta critérios como avaliações anteriores e assiduidade no uso do serviço, conta fossa.

No modelo antigo, com atuação nacional, o AgendaPet possuía 12 mil anúncios. Ganhava dinheiro a partir da cobrança de mensalidade dos prestadores de serviço e de anúncios.

Agora, a companhia possui cerca de 100 profissionais cadastrados. Seu lucro deverá vir da cobrança de uma comissão para cada serviço que for agendado por sua plataforma.

Fossa diz que um dos motivos para a mudança foi que poucos profissionais usavam de fato o agendamento on-line oferecido por sua plataforma.
Agora, com uma seleção de profissionais para o site mais restritiva, ele deve trabalhar apenas com quem é mais conectados à internet, diz.

“Avaliamos que, apesar de termos muitos usuários, não entregava aquilo que queríamos quando criamos a empresa. O dono de animal tinha que, ao final do processo, sempre pegar o telefone e ligar para vários lugares para conseguir um horário.”

A companhia conta com equipe de 5 funcionários.