Carreira após Olimpíadas: veja história de ex-nadadora dona de marca de maiôs

Por Filipe Oliveira
A ex-nadadora Fabiola Molina em sua loja de maiôs
A ex-nadadora Fabiola Molina em sua loja de maiôs

Depois de anos preenchidos por longos treinos diários, muitas competições, vitórias, derrotas, lesões e medalhas, chega uma hora em que a carreira do atleta termina e, com a vida toda pela frente, é preciso se reinventar profissionalmente.

A ex-nadadora Fabiola Molina, 41, soube que o empreendedorismo seria sua opção após deixar as piscinas enquanto ainda era atleta.

Ela decidiu preencher uma lacuna do mercado esportivo que a incomodava muito: a falta de maiôs e biquínis que fossem, ao mesmo tempo, bonitos e confortáveis o suficiente para quem quer praticar natação.

Tudo começou aos 16 anos, quando ela já treinava regularmente e a preocupação com o corpo aumentou, conta Molina.

“A modelagem dos maiôs me desagradava muito. Só existia peças únicas, para o corpo inteiro. Não existia um biquíni que permitisse treinar debaixo do sol sem ficar com uma marca branca enorme na barriga”, diz.

Além disso, todas as roupas tinham as mesmas cores (preto ou azul marinho) e seus tecidos ruins provocavam assaduras na pele depois de horas de uso, conta.

“Queria treinar com estampa colorida, de bolinha, mais urbana. Como as pessoas escolhem roupa diferente todo dia para ir para o trabalho, eu queria ter opções para ir para o meu, que era a natação.”

Sua sorte foi que uma colega de treino na cidade de São José dos Campos (SP) costurava maiôs. “Fui na casa dela e comecei a combinar modelagens diferentes para mim. Fiz modelos de biquínis e sunkinis (tipo de biquíni com alças mais grossas) e comecei a usar nas competições, na hora do aquecimento”.

O visual mais despojado e colorido chamou atenção das outras atletas. Aos poucos, Molina começou a levar as peças para as provas para vender, mais como forma de dividir algo legal com amigas do que para ganhar dinheiro, que era pouquinho, conta.

A ideia de transformar o que era feito de modo despretensioso em um negócio veio depois que Molina chegou onde acreditava ser o auge de sua carreira, competir na Olimpíada de Sidney em 2000.

“Em 2002, achava que tinha alcançado meu auge e já era a hora de fazer minha transição de atleta para uma outra vida.  Como os maiôs vendiam bem onde eu os levava, comecei a falar com meus pais que queria transformar aquilo em algo oficial.”

Sua mãe, Kelce Molina, entrou como sócia na confecção Fabiola Molina, que foi aberta em 2004.

Porém, diferentemente do que Molina esperava, sua carreira foi se alongando e durou até seus 38 anos. E a levou para mais duas Olimpíadas, até terminar oficialmente em 2013. Fabiola conta que a ajuda da mãe foi fundamental para o crescimento da empresa enquanto ela seguia com sua rotina de atleta.

PRODUÇÃO

A empresa Fabiola Molina começou produzindo 30 peças por mês. Hoje são 7 mil.

Os maiôs e biquínis são vendidos no atacado, para lojas de artigos esportivos, em uma loja física, em site da marca na internet e por representantes que vão até competições.

A companhia também exporta. Molina conta que já vendeu para mais de 50 países.

Todos os produtos são confeccionados por profissionais da empresa. Atualmente a companhia conta com 30 funcionárias.

Anualmente são feitas duas coleções voltadas para prática esportiva e uma de moda praia. Molina conta que participa do desenvolvimento das estampas e da modelagem de todas as  peças “Tenho que testar para ver se nada vai incomodar quem vai nadar”.

A ex-atleta também estrela as fotos dos catálogos de divulgação da empresa.

A nadadora Fabiola Molina e sua filha usam peças desenvolvidas para sua sua marca
A nadadora Fabiola Molina e sua filha usam peças desenvolvidas para sua sua marca

 

EMPREENDEDORISMO

Fabiola diz acreditar que o empreendedorismo tem muito em comum com o esporte e, por isso, pode ser uma boa alternativa para atletas:

“Nos dois casos, chegar ao sucesso depende muito de você. Quem tem perfil atleta, de correr atrás de objetivos, acaba se dando bem.”

A diferença é que, quando você decide ser empresário, não tem um treinador dizendo o que você deve fazer. É preciso muito mais organização, segundo Fabiola.

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