Empresa inspirada no Uber quer mudar mercado para contratação de modelos

Por Filipe Oliveira
Sócios do Job for Model, Juliane Rudolph, Filipi Russo (ao centro) e Roberto Barros (divulgação)
Sócios do Job for Model, Juliane Rudolph, Filipi Russo (ao centro) e Roberto Barros (divulgação)

Uma empresa paulistana se inspirou no Uber para tentar mudar o modo como as contratações de modelos são feitas.

Fundada pelo administrador Filipi Russo, 26, e pela modelo Juliane Rudolph, 28, a start-up Job for Model permite que organizadores de eventos, estilistas e quem desenvolve campanhas publicitárias encontre profissionais do setor e feche negócios diretamente com eles, a partir da internet.

Ou seja, a companhia quer assumir o papel das agências de modelos, reunindo um banco de milhares de profissionais cadastrados e permitindo a qualquer um fazer propostas a eles.

Na plataforma do Job for Model, interessados em contratar descrevem o trabalho que precisam, quais os atributos dos profissionais (idade e medidas, por exemplo) e qual cachê querem pagar.

A empresa envia o pedido para os cadastrados que se encaixam no perfil, a partir de e-mail, mensagens de celular ou em sua própria plataforma. Conforme as respostas são recebidas, o contratante pode ver o perfil dos profissionais que se interessaram pela proposta.

Russo afirma que o serviço consegue dar retorno às solicitações em trinta minutos, em geral.

Os pedidos das contratantes são analisados anteriormente, com o objetivo de garantir segurança aos profissionais, diz Russo. Modelos e empresas que os contratam se avaliam mutuamente após o serviço, como acontece no caso do Uber na relação entre passageiros e motoristas.

Os pagamentos são feitos pela plataforma. A companhia fica com comissão de 20% do valor do serviço contratado.

COMISSÕES

Russo diz que a ideia do negócio surgiu da frustração de sua sócia, Rudolph,  ao perceber que ela chegava a ficar com menos da metade do cachê combinado entre a agência a qual ela estava ligada e a empresa contratante.

Além disso, o pagamento poderia chegar após mais de dois meses de o serviço ter sido feito, afirma.

A modelo Julia Lazaro, 25, diz receber propostas de trabalho diariamente pelo Job For Model, tanto para fazer fotos como também para participar de desfiles.

Ela conta que atua como modelo há 11 anos e, até conhecer a plataforma, trabalhou com agências de modelos com as quais tinha contrato de exclusividade (ou seja, só poderia fazer trabalhos quando fosse indicada por elas).

Ela usa a Job for Model há um ano e meio. Diz que o tipo de contratação oferecido pela empresa permite contato direto com o cliente e dá mais liberdade para decidir quais trabalhos são mais interessantes para ela. O serviço também permitiu pagar uma comissão menor do que a que pagava antes (que era de 40%).

O site é dedicado apenas a modelos profissionais. Apesar de o cadastro ser permitido a todos, a companhia avalia o currículo e o portfólio dos profissionais cadastrados, priorizando os mais experientes nas indicações, diz Russo.

OPORTUNIDADES

Russo deixou carreira em banco de investimentos para abrir o negócio.

Ele diz ter ouvido de muitos que haveria dificuldades para sua empresa crescer, por estar em nicho pequeno. O que rebate afirmando que o serviço vai muito além das passarelas e do mercado de luxo.

Segundo ele, um único evento no qual a moda parece não estar diretamente associada pode movimentar muito dinheiro na contratação de modelos, como no caso do Salão do Automóvel de São Paulo.

Além disso, Russo diz que seu serviço pode aumentar o número de companhias que têm acesso a contratações desses profissionais. Isso porque a internet traria menos burocracia e preços mais competitivos para essas empresas.

“Lojas virtuais que só fotografam produtos ou naquelas em que o dono chama uma amiga ou prima para fazer fotos poderiam ter imagens com profissionais em suas páginas”, diz.

Fábio Bae, diretor da agência de publicidade especializada em moda Vosh, conta que sua empresa passou a contratar modelos rotineiramente a partir do site há um ano para desenvolver peças para seus clientes.

No mercado há cinco anos, a empresa faz campanhas para terceiros, oferecendo itens como maquiagem, fotografia e seleção de profissionais.

Segundo ele, a principal vantagem que obteve a partir do uso desse serviço foi o aumento da variedade de profissionais que ele consegue contratar. Isso porque a internet permite entrar em contato com mais modelos, sem depender tanto das indicações das agências, diz.

Modelo Isadora Amorim, contratada pela empresa Les Alis a partir da Job for Model (divulgação)
Modelo Isadora Amorim, contratada pela empresa Les Alis a partir da Job for Model (divulgação)

O Job for Model conta hoje com 5.000 profissionais cadastrados (70% mulheres e 30% homens).

Do lado dos contratantes, são cerca de 2.300 empresas na plataforma.

O negócio é tocado por equipe com cinco pessoas.

A companhia teve apoio da aceleradora de negócios ACE em 2015. Neste mês, recebeu investimentos adicionais de R$ 1 milhão da mesma aceleradora e dos grupos de investidores Latin American Angels Society, STH Angels e da Brunel Advisor.

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