Com entregadores autônomos e app de vendas, start-up James busca o que o cliente quiser

Por Filipe Oliveira

O James Delivery, uma start-up curitibana iniciada em 2016, vem desenvolvendo uma maneira de conseguir qualquer produto a qualquer hora, sem sair de casa.

A companhia criou um serviço de delivery a partir de aplicativo que usa entregadores autônomos e que promete buscar qualquer coisa que o consumidor queira.

Há duas opções de compra pelo aplicativo. O usuário pode buscar lojas parceiras da start-up, em que há descrições dos produtos mais completas e há informações sobre preços, ou buscar em um mapa o estabelecimento desejado e explicar o que precisa.

O serviço já funciona na capital paranaense e na cidade de Balneário Camboriú (SC). Na última sexta-feira (4) também começou a funcionar em alguns bairros de SP (entre eles Vila Olímpia, Itaim Bibi, Jardins e Pinheiros)

O blog fez um pedido para testar o funcionamento do James. Às 21h25 da última quinta-feira (10), a reportagem solicitou um sorvete em uma rede de lanchonetes na Zona sul de São Paulo. Por volta de 22h05, recebeu a notificação de que o entregador havia pego o item desejado e, às 22h25, recebeu o produto.

O entregador trouxe o item de moto e contou estar fazendo seu quarto serviço da noite. Além de estar cadastrado no James, recebia pedidos de outros aplicativos para ciclistas e motociclistas para complementar sua renda.

O sorvete não derreteu pelo caminho..

Sócios do James, Juliano Hauer (a esq.), Lucas Ceschin, Eduardo Petrelli e Ivo Roveda (divulgação)

Lucas Ceschin, 27, um dos sócios da empresa, explica que o custo para o consumidor que usa o serviço é de 10% sobre o valor da compra que ele faz (valor que fica com a empresa), mais uma tarifa para o entregador (que varia de acordo com a distância percorrida (parte de R$ 6,99 para trajetos de até 2,8 quilômetros).

A cobrança só leva em conta o trajeto entre o estabelecimento em que o item é comprado e onde o cliente está (sem considerar o deslocamento do entregador até adquirir o produto ou eventuais desvios que ele faça no caminho).

Ele afirma que a start-up busca o melhor uso do tempo de todos. “O cliente não gasta tempo para conseguir o que quer, o estabelecimento não precisa gastar tempo com entregas se não quiser e o entregador otimiza seu tempo livre”, diz.

A maioria dos entregadores é formada por estudantes universitários e ciclistas. Eles recebem o pedido em um aplicativo, fazem as compras solicitadas e as levam até o cliente.

Atualmente são 200 cadastrados, para um público de 10 mil usuários ativos (que usam o serviço ao menos uma vez ao mês).

MAIS PEDIDOS

Entre os itens mais pedidos no app estão refeições, pelo fato de clientes já estarem acostumados com delivery de comida, avalia Ceschin.

Mas a lista dos itens já entregues, inclusive inusitados, é grande.

“Fazemos supermercado, papelaria, floricultura. Já entregamos uma churrasqueira elétrica, bolinha de tênis, controle remoto.”

Ele conta que também é comum receber pedidos de pílulas do dia seguinte, sempre com avisos do tipo “A mais eficaz possível”.

Eduardo Petrelli, 25, cofundador do James, diz acreditar que a agilidade das entregas da empresa pode ser uma vantagem em relação ao comércio eletrônico tradicional.

Enquanto as principais empresas do setor se esforçam para fazer entregas no mesmo dia da compra, a start-up traz essa proposta já em sua origem.

HISTÓRIA

A ideia para o serviço, segundo os sócios contam, surgiu de modo inusitado em período em que os quatro amigos faziam uma pós-graduação na Califórnia.

Em uma noite, enquanto cozinhavam, perceberam que faltava sal. O único jeito de terminar o prato era pegar o carro e ir buscar. Dali começaram a se perguntar por que não haveria um serviço para situações como aquela.

A ideia foi discutida com especialistas de empreendedorismo e de lá dos Estados Unidos já vieram os primeiros mentores e investidores.

Já o nome da empresa veio de forma planejada. A equipe queria um que fosse familiar, remetendo a ideia de que se pediria algo a um amigo, não a uma empresa.

Além de James, pensaram em usar Alfred ou Benjamim, conta Ivo Roveda, 26, também cofundador da companhia.

“Achamos que James era um nome que combinava, era fácil, coloquial, não dava a ideia de um mordomo caro. E também é um ouco unissex, poderia ser usado para se referir a mulheres entregadoras, que também temos usando o serviço,  sem ser pesado.”

 

Equipe da start-up James Delivery, que desenvolve app de entregas (Divulgação)

A empresa foi iniciada do modo mais barato possível. No começo, os próprios sócios faziam as entregas e cobranças usando maquininha de cartão e ainda não havia um aplicativo próprio, eles usavam o WhatsApp mesmo.

“Foram 90 dias em que dormíamos dentro do James, ou estávamos entregando ou estávamos organizando a parte operacional da empresa”, diz Ceschin.

Atualmente a equipe da empresa conta com 16 profissionais. A empresa espera contratar mais pessoas para sua expansão na cidade de São Paulo.

 

Os sócios não ignoram a possibilidade de outras empresas do setor de mobilidade entrarem em seu mercado. Porém Ceschin diz que o conhecimento que a empresa vem acumulando sobre personalização de entregas e logística será um diferencial para competir.

Além do Uber, que possui serviço de entrega de comida, outras start-ups brasileiras desenvolvem projetos a partir de entregadores autônomos, porém sem dar ao cliente a opção de comprar produtos em seus apps. Entre elas estão a Loggi e Rappido Entregas (de motoboys) e a EuEntrego e a Shippify (a partir de meios de transportes variados).

Já a start-up Supermercado Now permite fazer compras em mercados para serem entregues por autônomos cadastrados na plataforma.

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