Start-up que revende produtos devolvidos recebe investimento de ex-alunos da FGV

Por Filipe Oliveira

Achar quem compre produtos que foram devolvidos por consumidores insatisfeitos e que a indústria não tem interesse em receber de volta pode não parecer uma tarefa fácil, mas foi justamente

nessa ideia que apostou um grupo de investidores formado por ex-alunos da Fundação Getúlio Vargas, o GV Angels.

Junto a fundos de investimento, entre eles o Performa, os ex-alunos da escola investiram R$ 700 mil na companhia Estoks, start-up especializada no serviço

A companhia pernambucana  ajuda empresas a decidir o que fazer com produtos que foram devolvidos por consumidores, cuida da retirada de produtos e ganha quando consegue colocá-los novamente no mercado.

Quando em bom estado, os itens são vendidos, após ajustes, em loja própria da empresa, o Outlet Vherde, em Jaboatão dos Guararapes (PE). caso isso não seja possível, são enviados para reciclagem.

As decisões sobre o que fazer com cada item são tomadas levando em conta informações obtidas com tecnologia.

Ricardo Salazar, fundador da empresa,  conta que a companhia desenvolveu software que ajuda seus clientes (indústrias e varejistas) a avaliar quando há mais chances de valer a pena trazer um produto de volta para o centro de distribuição deles e quando não.

Os produtos  que, caso trazidos de volta, gerariam prejuízo para a empresa parceira são comprados pela Estoks por um percentual de seu valor de mercado.

Salazar explica que a opção por concentrar as atividades em Pernambuco foi tomada pelo fato de o Nordeste concentrar grande parte dos produtos devolvidos, de um lado, e estar distante dos polos industriais do Sudeste e do Amazonas, de outro.

Com isso, empresas tendem a ter custos mais altos caso decidam pagar o retorno de produtos que foram devolvidos por clientes, situação em que o serviço da Estoks pode ser uma alternativa..

“Estamos pegando produtos que, até então, seriam jogados no lixo e aumentamos a vida útil deles fazendo recuperação técnica e os colocando no mercado popular”, diz.

Com o investimento, a empresa prevê expandir suas operações para outras regiões além do Nordeste.

 

Ricardo salazar, fundador da empresa Estoks, em loja da companhia (divulgação)

 

VIRADA

Salazar conta que a Estoks não nasceu mirando o mercado no qual atua hoje.

Criada em 2012, ela iniciou as atividades trabalhando com logística de equipamentos na construção. Sua tecnologia era usada para ajudar clientes a decidir quando valia mais a pena levar máquinas pesadas de uma cidade a outra ou vendê-las onde elas estavam.

A virada ocorreu como consequência da Operação Lava Jato. Com a maior parte dos clientes abatidos, ao serem envolvidos em caso de corrupção, foi necessário que a Estoks se reinventasse

“Fomos forçados a sair do mercado. Então decidimos trazer nossa tecnologia de análise preditiva para outro setor”, diz.

A empresa tem hoje 11 funcionários. Informa trabalhar com parceiros da indústria e varejo, como Magazine Luiza, Philco, Britânia, PAN Seguros, Cadence e Oster.

ALUNOS

A Estoks é o segundo investimento do GV Angels, que foi criado no início deste ano.

O grupo conta com 60 ex-alunos de administração da FGV.

Patricia Osorio, cofundadora do GV Angels, explica que os membros trazem oportunidades de negócios a reuniões bimestrais para, em conjunto,  discutir possíveis investimentos.

Porém, quando uma start-up é aprovada, nem todos precisam investir. O GV Angels não informa quantos injetaram recursos em cada empresa escolhida.

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